A inteligência artificial passou a integrar diferentes atividades profissionais e também desperta interesse de quem atua com perícia. Sua capacidade de trabalhar com linguagem e informação pode ser útil, mas precisa ser compreendida dentro dos limites da prova técnica.
Uma resposta produzida rapidamente por um sistema não possui, por esse motivo, valor pericial automático.
Onde a inteligência artificial se encaixa?
Ferramentas digitais podem auxiliar profissionais a lidar com atividades de natureza informacional. A utilidade real depende da finalidade de seu uso e do contexto do trabalho.
Isso não equivale a transferir para o sistema a análise técnica que fundamenta a conclusão do perito.
Respostas convincentes são necessariamente corretas?
Não. Sistemas de inteligência artificial podem produzir textos fluentes mesmo quando apresentam informações equivocadas, interpretações inadequadas ou referências inexistentes.
A aparência de segurança na linguagem não demonstra a confiabilidade da informação. Essa diferença merece especial atenção em atividades cujos resultados influenciam uma decisão judicial.
Quem responde pelo conteúdo utilizado?
O uso de uma ferramenta não elimina a responsabilidade do profissional pelo trabalho que assina.
A perícia exige fundamentação compatível com o objeto e com os elementos efetivamente disponíveis no caso. Nenhuma plataforma substitui essa obrigação.
E os dados sigilosos?
Processos podem conter informações pessoais, empresariais e outros elementos sujeitos a restrições. O emprego de tecnologias externas levanta questões de confidencialidade e de tratamento adequado dessas informações.
A conveniência de uma ferramenta não deve prevalecer automaticamente sobre os deveres de sigilo e proteção dos dados envolvidos.
A inteligência artificial pode decidir uma conclusão pericial?
A conclusão exige julgamento especializado e responsabilidade profissional. Uma ferramenta pode produzir sugestões ou respostas, mas não assume o encargo judicial nem responde pelo significado técnico do material.
A distinção entre apoio tecnológico e decisão profissional precisa permanecer clara.
Por que a especialidade continua indispensável?
Sem conhecimento técnico adequado, o profissional pode não perceber que determinada resposta aparentemente coerente está errada ou não se aplica à situação examinada.
A adoção de tecnologia não torna dispensável o domínio do campo em que a perícia será realizada.
Conclusão
A inteligência artificial pode integrar o ambiente profissional da perícia, mas sua utilidade depende de limites claros. O conhecimento especializado, a responsabilidade pela prova e a proteção das informações continuam pertencendo ao profissional.
Fonte: Código de Processo Civil, disposições relacionadas à prova pericial.
Explore formações relacionadas
Conheça os cursos da Perithia Educacional sobre os temas deste artigo.
Comentários