A participação do assistente técnico na prova pericial pode envolver a discussão de quesitos, que são perguntas destinadas a contribuir para o esclarecimento de questões especializadas no processo.

A qualidade dessas perguntas não depende simplesmente de sua quantidade ou do grau de complexidade da linguagem utilizada.

Para que servem os quesitos?

Os quesitos integram o contraditório da prova técnica. Permitem que questões relacionadas ao objeto da perícia sejam abordadas dentro do processo.

Seu valor está na contribuição que podem oferecer para a compreensão do problema, e não na tentativa de produzir uma resposta previamente desejada.

Uma pergunta muito detalhada é necessariamente melhor?

Não. Complexidade de redação não significa relevância técnica.

Uma pergunta extensa pode conter uma discussão legítima, mas também pode dificultar a compreensão daquilo que realmente está em debate.

A clareza ajuda a comunicação processual; a pertinência depende da questão técnica concreta.

O assistente técnico deve buscar apenas conclusões favoráveis?

O assistente atua vinculado à parte que o contratou, mas sua contribuição profissional continua sendo técnica.

Quando os quesitos se transformam apenas em alegações disfarçadas ou em tentativa de direcionar o resultado, perdem parte de sua utilidade para o esclarecimento da prova.

Quesitos servem para substituir um parecer?

Não. Perguntas e manifestações técnicas desempenham funções diferentes.

Os quesitos participam da formulação de questões a serem tratadas no contexto da perícia. O parecer é uma manifestação técnica que pode apresentar a análise própria do assistente.

Confundir essas funções pode criar expectativas inadequadas sobre o alcance de cada documento.

Existe um modelo universal de bons quesitos?

Não. As necessidades de uma perícia automotiva, grafotécnica, odontológica ou de engenharia podem diferir profundamente.

A elaboração profissional depende da natureza do problema e do conhecimento especializado aplicável. Modelos genéricos não substituem julgamento técnico.

E quando uma pergunta não cabe à perícia?

Nem toda controvérsia do processo pode ser transformada em uma pergunta pericial. A prova técnica possui limites e não substitui a decisão jurídica.

A condução processual da admissibilidade dos quesitos cabe ao juízo, conforme as regras aplicáveis.

Conclusão

Bons quesitos contribuem para tornar a discussão técnica mais compreensível. Sua elaboração exige conhecimento do objeto, respeito aos limites da prova e independência de julgamento, sem se reduzir a um conjunto fixo de perguntas.

Fonte: Código de Processo Civil, disposições relacionadas à prova pericial.

Explore formações relacionadas

Conheça os cursos da Perithia Educacional sobre os temas deste artigo.

Ver todas as formações  ·  Fale com a Perithia