Conflitos podem surgir durante uma perícia porque o trabalho técnico acontece dentro de uma controvérsia já existente entre as partes.

O perito, porém, não é chamado para ampliar esse conflito. Sua função é preservar as condições necessárias para desenvolver o exame técnico com independência e respeito aos limites do encargo.

Por que conflitos acontecem durante a perícia?

As partes podem ter expectativas diferentes sobre o que será examinado, discordar sobre fatos relevantes ou demonstrar insatisfação com a própria existência da perícia.

Essas tensões pertencem ao contexto do processo, mas não devem determinar a conclusão técnica.

O perito é mediador do conflito?

Não. Embora postura profissional e comunicação adequada possam reduzir tensões, o perito não substitui advogado, mediador ou juiz.

Seu papel é técnico. Ele precisa manter o foco na atividade que lhe foi confiada e evitar transformar a diligência em espaço para discutir toda a controvérsia existente entre as partes.

Neutralidade não significa passividade

Ser imparcial não significa aceitar qualquer comportamento ou permitir que a atividade técnica perca sua finalidade.

O profissional precisa preservar condições mínimas para executar seu trabalho. Quando o conflito interfere materialmente na perícia, a situação deixa de ser apenas desconfortável e passa a ter relevância para a própria produção da prova.

O perito pode discutir com uma das partes?

A discordância sobre um ponto técnico pode ocorrer sem que se transforme em confronto pessoal.

A autoridade do perito não decorre de vencer uma discussão, mas da consistência do trabalho que apresenta ao processo.

Pressão para antecipar conclusões

Durante uma diligência, alguém pode tentar obter do profissional uma opinião imediata sobre causa, responsabilidade ou resultado final.

Essa expectativa deve ser vista com cautela. A atividade ainda pode estar em desenvolvimento e a conclusão técnica depende do conjunto da análise, não apenas de uma impressão momentânea.

E quando o ambiente impede o trabalho?

Há diferença entre uma divergência verbal e uma situação que realmente impede a realização segura ou tecnicamente adequada da perícia.

Quando as condições necessárias ao trabalho deixam de existir, a resposta adequada depende das circunstâncias e do processo. Não existe uma única fórmula aplicável a todos os casos.

Por que postura profissional importa?

O comportamento do perito também influencia a confiança que o trabalho transmite.

Linguagem agressiva, ironia ou envolvimento emocional podem deslocar a atenção da questão técnica e criar dúvidas sobre a independência profissional.

Conclusão

Conflitos durante a perícia devem ser tratados sem perder de vista a finalidade da prova técnica.

O perito não precisa assumir o papel de mediador nem transformar a atividade em disputa pessoal. Sua responsabilidade é preservar independência, limites e condições adequadas para o trabalho.

Fonte: Código de Processo Civil, especialmente as disposições relacionadas à prova pericial.

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